Daily Pro – Alguém ainda não entendeu?

Alguém ainda não entendeu?

Por Marília Fontes & Equipe
05/04/17

Temos visto o mercado de juros cair diariamente. Enquanto a Bolsa sofreu em linha com o mercado externo, o real também não está nos seus patamares mais baixos e os juros continuam fazendo novas mínimas.

Por que os juros descolaram? Eles não deveriam ter sofrido?

Ao contrário da Bolsa e do câmbio, os juros têm uma característica mais inercial e estrutural mesmo. O mercado futuro de DI é mais parecido com um transatlântico do que com uma lanchinha.

Nessas últimas semanas, ainda tivemos importantes notícias econômicas que influenciaram todo o mercado, mas principalmente o PRE.

Primeiramente, o Banco Central publicou o Relatório de Inflação onde mostrou suas projeções para 2017 e 2018. No cenário de mercado onde a Selic termina 2017 em 9 por cento e 2018 em 8,5 por cento, a inflação ficaria em 4 por cento este ano e 4,5 no ano que vem.

Podemos pensar que 4,5 é a meta e, portanto, ele estaria dizendo que pode ir até 8,5 de Selic. Mas note que, uma vez que o índice bate o valor mínimo em 2017, ele só acelera depois.

Isso poderia querer insinuar que 8,5 por cento de Selic não mantém a inflação estável e, portanto, não seria possível chegar até lá. Quando o mercado leu o relatório, entendeu a mensagem como dura, retirando algumas quedas ao longo da curva.

Mas não adianta pensar hoje no final de 2018. Ainda tem muita água para rolar. Temos que entender muito melhor como se daria a recuperação, e se ela vai ou não vir agora (porque ela certamente virá).

O câmbio, por exemplo, poderia continuar estável, jogando a inflação de 2018 de 4,5 para 4,3 por cento.

Só nesse meio tempo entre o dia do RI e hoje, já tivemos quatro dados de atividade mais fracos que o esperado. Primeiro foi o dado de Vendas no Varejo, que o mercado previa 0,5 por cento de crescimento, mas acabou ficando negativo em 0,7. No dia seguinte foi a vez do IBC-Br esperado em -0,20, que surpreendeu com -0,26 por cento. O desemprego também deu sua contribuição, subindo para 13,2 por cento ao invés da expectativa de 13,1. E ontem a produção industrial lacrou com alta de 0,1 por cento, enquanto o mercado esperava 0,6.

Estes dados mostram que a recuperação esperada para o primeiro trimestre do ano, pode acabar ficando para o segundo. Isso tem impacto no hiato do produto (diferença entre atividade corrente e atividade potencial) e na inflação. E abre espaço para o BC pensar em um ciclo maior.
Não quero advogar aqui que os juros vão cair muito mais que 8,5 por cento. Só estou dizendo que é muito cedo para levar esse número e a projeção de 4,5 de inflação para 2018 a ferro e fogo.

Enquanto aqui as notícias são ruins para a economia mas boas para os juros, lá fora o mundo parece ir bem. O dia é de alta de commodities e petróleo, assim como alta nas Treasuries.

Hoje teremos uma agenda agitada nos EUA com dados de emprego (ADP), atividade (ISM Non-Manufacturing) e a ata do FOMC (Copom americano).

Para quem não viu o Serious Trader de ontem, surgiu uma excelente nova oportunidade de venda. Estamos falando de uma recomendação de Sergio Oba, aquele que, de 9 operações realizadas em 2017, fechou 6 delas com retornos acima de dois dígitos! Quem procura ganhos agressivos em um período curto, não pode ficar de fora dessa.

Errei pessoal, foi mal.

Ontem foi divulgada uma nota do Banco Central no qual ele reconhece que ocorreu um erro operacional em duas das quatro projeções do Relatório de Inflação.

Os cenários que estariam equivocados seriam aqueles em que a Selic se mantinha constante em 12,25% por todo o período de projeção.

No cenário com Selic constante em 12,25 e câmbio constante, a inflação de 2017 se alterou de 3,9 para 3,6 por cento, e de 2018 de 4 para 3,3 por cento. No cenário com Selic constante e câmbio do Focus subindo até 3,4, a inflação de 2017 caiu de 3,9 para 3,7 e de 2018 de 4,2 para 3,5 por cento.

A consequência prática da mudança é mostrar que o poder de fogo dos juros para controlarem a inflação ainda é muito forte. Com os números antigos, ficávamos com a impressão que a bala do BC tinha reduzido seu potencial.

Em termos de alteração de fato da política monetária, isso tudo muda bem pouco. O própria comitê tem indicado que as projeções onde a Selic se reduz até 9 por cento em 2017 e 8,5 por cento em 2018 são as mais relevantes e essas não foram alteradas.

Então, mesmo com as mudanças, as perspectivas de queda da Selic em 100 bps em abril e o tamanho do ciclo continuam com a mesma visão.

Foi um papelão do Banco Central, mas altera pouco em termos práticos.

Alupar: Sucesso em aumento de capital abre as portas para crescer.

Alupar (ALUP11) anunciou as principais variáveis relacionadas ao aumento de capital que concluiu ontem, através de oferta pública restrita de ações. Finalmente, ela conseguiu arrecadar um total de 833,5 milhões de reais a um preço de subscrição de 19,50/unit.

A notícia é positiva no longo prazo, já que: 1) elimina incerteza sobre eventual desconto no papel por medo de “overhang” (sobreoferta de ações), 2) o pequeno desconto – de menos de 5 por cento em relação ao preço de fechamento de ontem e em linha com o do dia anterior ao anúncio de oferta – confirma o grande interesse de investidores institucionais/profissionais no papel, 3) aumentará a liquidez de ALUP11, trazendo mais visibilidade e 4) deixa o balanço equacionado, com amplo poder de fogo face ao leilão de transmissão de dia 24 de abril.

Dependendo do resultado deste leilão (para o qual vários outros atores estão se preparando), consideramos que poderiam se justificar, no longo prazo, múltiplos na casa de 8,5x ev/ebitda. Diante do potencial de crescimento, bom foco do management e expertise em greenfield, ainda vemos potencial em ALUP11, razão pela qual se mantém nas carteiras Vacas Leiteiras e Carteira Empiricus.

Imobiliário – trocando quantidade por qualidade

MRV Engenharia (MRVE3) e Cury Construtora (controlada pela Cyrella) começam a mudar a forma de venda nos seus imóveis.

A venda passa a ser considerada somente após a aprovação do crédito pelo banco e tem objetivo de diminuir os distratos.

A companhia troca, divulgar mais números de vendas (quantidade) por uma realidade que realmente pode ser conversível em receitas (qualidade).

A ideia é boa e deve fazer com que a despesa com os distratos diminua.

Mantemos MRVE3 como neutro, aguardando as mudanças serem efetivas e o cenário econômico mostrar otimismo em indicadores como desemprego.

Bancos: Crédito não engrena. Apostas são na eficiência e reversão de provisão

Declarações do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, deram um choque de realidade sobre mercado de crédito brasileiro.

Trabuco destacou que a concessão de credito não deve crescer em 2017 e que a demanda continua bastante tímida. Consumidores ainda relutam em tomar financiamentos, pois o desemprego ainda assusta e o endividamento continua em níveis altos.

Apesar deste freio na concessão que poderia afetar negativamente o resultado dos bancos, estes ainda mostram boas perspectivas advindas da reversão de provisões e ganhos de eficiência.
Bancos estão com a cobertura de provisões para a inadimplência em níveis recordes e ainda há muitas despesas operacionais que podem ser cortadas em prol da expansão do lucro em 2017.

Banco do Brasil deve liderar este processo de ajuste de estrutura operacional com o fechamento de agências, redução de pessoal via programa de aposentadoria voluntária e reestruturação de diretoria e gerencias.

Paulo Caffarelli, presidente do BB, tem como meta migrar a rentabilidade do banco para patamar mais próximo dos grandes bancos privados (18 a 20 por cento). A expectativa é de que BB possa atingir entre 10 e 12 por cento de ROE em 2017 e buscar um patamar próximo a 15 por cento em 2018.

Estamos otimistas com este novo momento de BB e achamos que BBAS3 pode chegar a 1,3x preço/valor patrimonial (hoje está 1,05) nos próximos meses. Por isso recomendamos BBAS3 em várias carteiras da casa, assim como ITUB4/ITSA4 que terá seus lucros de 2017 crescendo com a reversão de provisões.

Oi: É hora de dar tchau

Em junho de 2016, a Oi (OIBR3, OIBR4) teve seu pedido de recuperação judicial deferido pela sétima Vara Empresarial do Rio de Janeiro. O pedido foi motivado por dívidas da ordem de 65 bilhões de reais, incompatíveis com a capacidade de pagamento da companhia. O processo de recuperação judicial tem por finalidade oferecer à companhia condições para renegociação de suas obrigações de forma que sejam preservadas suas operações.

Cumpridas as obrigações tributárias e trabalhistas, que têm prioridade de pagamento, a etapa seguinte consiste na renegociação com credores financeiros, aí incluídos debenturistas – é o estágio no qual se encontra a companhia.

Entretanto, a dificuldade na construção de um acordo começa a gerar preocupações acerca da continuidade das operações da empresa, o que levou a reguladora ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) a aventar a possibilidade de intervenção na companhia. A intervenção resultaria em multas e poderia, no limite, culminar na perda da concessão, resultando em um novo leilão de espectros.

O impasse, agravado pela intervenção do agente regulador, levanta dúvidas sobre a viabilidade do próprio processo de reestruturação da companhia e da recuperabilidade de qualquer valor por parte dos acionistas, cujos direitos se subordinam aos de todas as demais partes.

As incertezas com relação ao desfecho da situação constituem risco relevante de perda para os acionistas, razão pela qual recomendamos enfaticamente manter distância de OIBR.

Embraer: nova parceria

Notícia do Valor comenta a parceria da divisão de Defesa & Segurança da Embraer (EMBR3) com a produtora americana de componentes eletrônicos para aviação Rockwell Collins.

Em suma, as duas empresas avaliarão suas tecnologias para possíveis vendas conjuntas e poderão incorporar os produtos, uma da outra.

Enxergamos a parceria de forma positiva, uma vez que a oportunidade de desenvolvimento de negócios conjuntos poderia impulsionar os resultados da divisão de Defesa & Segurança, cuja expectativa atual é que tenha um desempenho estável durante 2017 em relação a 2016 e 2015 (lembrando que o pico do backlog foi lá atrás, em 2014).

Adicionalmente, vale notar os recentes avanços dos demais segmentos da Embraer:

1) A companhia entregou o primeiro jato executivo leve Phenom 100EV – uma evolução do Phenom 100 – para um cliente dos EUA na última sexta-feira. É um avanço muito bem-vindo, especialmente diante do mercado deprimido que a aviação executiva enfrenta.

Vale recordar que os jatos executivos leves tiveram queda de demanda no ano passado, ainda que o segmento tenha cumprido com a meta do management. Para este ano, nossa expectativa é que o mercado deverá permanecer relativamente estável.

2) A companhia realizou o voo inaugural de mais uma aeronave da segunda geração da família de E-Jets antes do previsto.

Gostamos de mais essa confirmação de que o desenvolvimento da segunda geração dos E-Jets vai de vento em popa. Para este ano, na aviação comercial, esperamos o andamento da transição da primeira geração dos E-Jets para a segunda geração em um bom ritmo.

Por muitos investidores, a Embraer é vista como um player de câmbio. Mas, ela não é só isso. A companhia é uma forte aposta no setor aeroespacial, dentro do qual consegue competir de igual a igual com as líderes.

Continuamos gostando da Embraer. Negociada a múltiplos bastante interessantes (5,6x EV/EBITDA 2017e), se encontra com um desconto que consideramos injusto e é um dos papéis que voa na carteira Empiricus Insider.

IBOV: pausa para respirar

Março foi o mês de respiro do ano. Após janeiro e fevereiro acumulando altas de +7 por cento e +3 por cento, março nos trouce o primeiro resultado negativo: -2,5 por cento.

Os pessimistas já gritam “fogo” e correm para a saída de emergência.

Olhando as maiores quedas temos as commodities: CSN (CSNA3) caindo 24 por cento, Gerdau (GGBR4) e Met. Gerdau (GOAU4) caindo 16 por cento. Seguidas de Eletrobras (ELET6), Santander (SANB11) e JBS (JBSS3).

As commodities devolveram um pouco do enorme de meados do ano passado – assim como ELET, e as demais são histórias mais específicas. SANB anunciou venda de ações por um acionista e JBS teve seus problemas com a carne fraca.

Do lado das altas, tivemos Smiles (SMLE3) subindo 18 por cento, seguida por Natura (NATU3), Ultrapar (UGPA3) Renner (LREN3) e Localiza (RENT3) subindo entre 9 e 14 por cento. O mercado volta a puxar para cima as ações premium de consumo – todas negociadas acima de 10x Ebitda.

SMLE repete o feito de fevereiro, quando também foi a maior alta – Smiles se recupera de sua derrocada no final de 2016.

Com o final da temporada de resultados do 4T16, começamos a do 1T17 – e as expectativas ainda não são as melhores. Abril começa com preocupações com a aprovação das reformas e economia ainda mostrando números ruins.

Os gringos tiraram dinheiro de nossa bolsa em março (~3 bi de dólares), mas o saldo do ano ainda é positivo em aproximadamente 3 bi de dólares.

A realização recente é bastante saudável para consolidar os novos níveis. Com a aprovação de algumas reformas importantes (terceirização) podemos estar diante de uma ótima oportunidade de aumentar posições.

A bolsa continua (como sempre) escrevendo certo por linhas tortas. Ótimo para quem deseja comprar algumas das Melhores Ações da Bolsa (ainda) a preços camaradas.

Calendário IPOs

O mercado de IPOs está esquentando esse ano. O Bradesco estima que entre 10 e 15 empresas se preparam para uma oferta pública.

Esse número ainda pode aumentar para 30 a 40 empresas a depender do cenário macroeconômico local.

Segundo o Estadão, o interesse pelo IPO de Azul (AZUL4) aumentou nas últimas horas.

Para o preço médio da faixa, 21 reais, a demanda está duas vezes maior que o volume de ações ofertados pela companhia.

Os investidores estrangeiros são os maiores interessados e já participam de 70 por cento do volume comprador – parece que o IPO de Azul irá decolar.

Hoje é o último dia para subscrever ações da companhia. Mas nós recomendamos ficar de fora desta viagem. Reiteramos recomendação de não participar do IPO de AZUL.

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