Daily Pro – O inimigo agora é outro: você mesmo

Por Felipe Miranda & Equipe
07/04/17

Apesar do título, isto não é um texto de autoajuda. Ao menos, não foi pensado assim. O uso que as pessoas fazem das coisas pertence às próprias pessoas. A criatividade alheia não tem barreiras. Antes, era pior. Na era pré-email, os relatórios de analistas eram impressos. Com isso, dada a qualidade média, poderiam encontrar destinos nada higiênicos para esse papel.

A verdade é que, para ser um investidor de sucesso, você terá de superar a si mesmo. Falo além dos clichês típicos de que você precisa ser estudioso, diligente, disciplinado, responsável, cristão convicto, cidadão modelo, ter passado no vestibular.

Eu, que não saco nada de química, literatura ou gramática, sou preocupado com um negócio chamado de “desconto hiperbólico” ou, em outras praças, de “inconsistência intertemporal”. Esse é um clássico viés cognitivo estudado pela Economia Comportamental, que poderia ser resumido ao valor excessivo atribuído a benefícios a serem recebidos agora, comparativamente à sua colheita no futuro. Outra forma de ver a coisa é pela tendência a ser muito impacientes agora, na esperança autoenganosa de que conseguiremos ser pacientes e disciplinados no futuro.

Um exemplo simples mas intuitivo: Ao ter que escolher ganhar 100 hoje ou 110 amanhã, muitas pessoas escolhem a primeira opção. Já ao ter que escolher entre ganhar 100 daqui a um ano e 110 daqui a um ano e um dia, muitos decidem esperar um dia a mais pelos 10 adicionais. Isso é um claro problema de inconsistência e fere os preceitos da teoria da escolha racional.

Vale para quase tudo. Finanças, regime, musculação, prática de esportes, parar de fumar, aprender uma nova língua, retomar amizades antigas, etc. Nós sempre queremos fazer algo um pouco oneroso agora em troca de um grande benefício futuro, mas nunca estamos dispostos ao sacrifício hoje.

Não é um exercício de como as coisas deveriam ser. Mas, sim, de como elas são. Nós esperamos agir perante o tempo de forma bastante diferente do que realmente agimos. Se quiser se aprofundar no tema, pode recorrer ao clássico Some Empirical Evidence on Dynamic Inconsistency, de Richard Thaler.

Ocorre, porém, que a boa prática de investimentos exige subverter por completo essa ordem. Temos de ser estrategicamente pacientes agora com o propósito objetivo de nos tornarmos intensa e pragmaticamente impacientes depois. A dor da posição desconfortável agora para a captura de um lucro futuro, removendo nossa disposição instintiva em sermos hiper focados no momento inicial. Um aparente recuo no instante original para nos dar um posicionamento estrategicamente vantajoso para lucros no futuro.

Veja que há razões evolutivas para esse traço genético introjetado em nosso comportamento típico e instintivo. Nos tempos antigos em que o objetivo único era a sobrevivência, estávamos mesmo mais preocupados com os efeitos imediatos. Para caçar um alce, estou preocupado com o agora. Para fugir de um leão, eu apenas corro. As reais ameaças de morte obrigavam o foco completo naquele momento.

Somente com o desenvolvimento de técnicas e ferramentas de poupança, estratégias de agricultura, domesticação de animais, armazenamento de produtos, etc podemos começar a pensar no futuro.

O investimento, porém, é necessariamente uma avaliação intertemporal (e não imediata), para o qual devemos driblar a imposição genética da tendência ao imediatismo. O objetivo é nos armarmos de ferramentas capazes de nos dar vantagem de posicionamento ao longo do tempo, ao contrário de nos concentrar no decisivo presente.

Quando um empreendedor investe em pesquisa e tecnologia, ele perde lucro e fluxo de caixa naquele exercício, em troca de muito mais ganhos nos anos subsequentes. Quando um motorista faz seguro de seu carro, ele incorre num custo agora, para não ter uma trolha impagável no caso de perda total. Quando um caçador dedica horas e horas para construir armas e ferramentas mais poderosas (pense no Robson Crusoé), ele perde um bom tempo em que poderia estar caçando e passa fome por alguns dias, com a contrapartida de aumentar muito sua eficiência no período seguinte.

Quando um investidor compra uma ação de uma empresa boa passando por um momento ruim, ele provavelmente perde dinheiro por um tempo (se o momento é ruim, difícil aquilo subir rápido), com a convicção de que períodos ruins passam, empresas boas ficam – e quando o ciclo adverso passar, os preços baixos também o farão.

Quando um investidor compra puts (opções de venda) fora do dinheiro para proteger uma parte dos ganhos com ações nos últimos meses, ele faz um desembolso de caixa (prejuízo hoje), para, quem sabe, não sofrer tanto quando Donald Trump atacar a Síria ou, ainda mais à frente, o Irã. Também vão servir para uma eventual desidratação da reforma da Previdência.

Neste momento, o investidor encontra uma série de inimigos na Câmara dos Deputados e no Senado. É evidente que os ativos de risco sofrerão com as barreiras impostas às novas regras previdências. Há outro inimigo muito mais poderoso: ele mesmo e seus vieses cognitivos.

Mercados iniciam a sexta-feira razoavelmente bem comportados, principalmente se ponderarmos pelo recrudescimento da tensão geopolítica externa, com Donald Trump bombardeando a Síria, e pelo recuo importante do minério de ferro na China.

Indicador mais relevante do dia é Relatório de Emprego norte-americano, que apontou criação de postos de trabalho abaixo das expectativas em março – 98 mil, contra 180 mil esperados. Taxa desemprego caiu a 4,5%, frente a 4,7% projetado. Ganhos por hora trabalhada subiram 0,2%, em linha com estimativas. Mercado recebeu bem o indicador, antevendo subida menos intensa do juro nos EUA.

Por aqui, destaque para o IPCA de março, em alta de 0,25%, em linha com projeções, o que corrobora visão favorável para evolução da Selic.

Ibovespa Futuro abre próximo à estabilidade, enquanto juros futuros e dólar recuam.

Você reparou que o índice de small caps é o mais rentável do ano? Max Bohm acaba de garimpar ações bem abaixo do radar no Microcap Alert . Performance espetacular neste ano. E esperamos muito mais por vir.

Felipe Miranda
Analista CNPI
felipe.miranda@empiricus.com.br

Reforma da Previdência toma conta do mercado

No mercado de ontem só se falava em Reforma da Previdência. O mapa disponibilizado pelo Estadão deu um choque de medo no mercado.

Desde então, diversas projeções foram liberadas para tentar entender o impacto das concessões feitas até agora pelo governo.

O ponto mais importante é unanimidade entre os analistas: a idade mínima de 65 anos. Este, por si só representa cerca de 1% do PIB a menos em despesas com a previdência.

Outros pontos como inclusão da contribuição do trabalhador rural, fim dos regimes especiais ou pensões por morte, acabam representando uma fatia muito menor da economia, e poderiam ser negociados.

Os juros para vencimento em 2021, que estavam sendo negociados a 9,85 por cento antes do placar do Estadão, subiram para 9,97 por cento no fechamento, chegando inclusive a marcar acima de 10 por cento durante o dia.

Marília Fontes
Analista CNPI
marilia.fontes@empiricus.com.br

IBOV: quando comprar e quando vender?

Pode parecer meio óbvio, mas só caiu a ficha para mim (caiu mesmo), nos últimos dias.

Sabemos que o Brasil é notório por seus voos de galinha. Mas pensemos nos motivos que nos levam a estes breves respiros de otimismo seguido de crises pavorosas.

Parece que o Brasil só faz reformas (pra valer) quando está prestes a quebrar – e é o caso agora. Ou fazemos as reformas ou o país vai para o buraco (com alçapão).

E é sempre da mesma maneira. O Governo gastão leva as finanças públicas para o extremo limite e a economia afunda com temor dos efeitos de uma novo calote soberano.

Os excelentíssimos políticos percebem a catástrofe anunciada (como?) e conseguem mudar de modo “populismo” a modo “reformas inadiáveis.”

Isso acontece mesmo que as reformas sejam impopulares – e sem mudança relevante no perfil dos políticos no Congresso.

Feitas as reformas, o país volta a crescer, o Brasil vira o país do futuro. Como vimos após as intensas reformas que o Governo Fernando Henrique promoveu (e Lula surfou com enorme desembaraço).

Na bonança, os excelentíssimos rapidamente voltam a chavinha para o “populismo.” Elegemos Governos irresponsáveis, os gastos novamente explodem, as políticas populistas minam a competitividade do país e voltamos a caminhar perto do abismo.

Pensando que a bolsa segue a economia, seria natural imaginar que devemos comprar ações no período das reformas e vende-las quando os gastos do Governo já não couberem no orçamento.

E é exatamente onde estamos hoje. Precisamos das reformas para não virar mais uma Venezuela e Brasília (pasmem!) parece disposta a aprovar pautas impopulares.

Momento mais que oportuno para comprar as Melhores Ações da Bolsa negócios extraordinários que ficam ainda mais rentáveis com o PIB em expansão.

Bruce Barbosa
Analista CNPI
bruce.barbosa@empiricus.com.br

Fundos de Pensão: Preciso de ações

Com a taxa Selic podendo chegar a menos de 9 por cento no final do ano, os fundos de pensão brasileiros terão que recorrer à renda variável para bater a meta atuarial, que gira em torno de 14,5 por cento.

Não há como não aumentar o risco das carteiras dos fundos com os juros caindo ao patamar de um dígito. O setor terá que aumentar o percentual que hoje é de 18 por cento, mas já foi 33 por cento em 2009, quando a Bovespa teve um ano fantástico com valorização superior a 80 por cento.

Este patamar atual engloba a participação em Bolsa de Previ e Petros, dois dos maiores fundos de pensão do país e que possuem historicamente uma parcela maior em investimento em ações. Previ e Petro estão no caminho contrário, tendo que vender ações para ter mais liquidez para pagamentos de benefícios.

Se desconsiderarmos estes dois grandes fundos, o patamar cai para 5 por cento, o que mostra o grande potencial de aumento em renda variável para os próximos meses.

Isso indica que, inevitavelmente, haverá um forte fluxo para Bolsa nos próximos meses decorrentes do aumento da parcela de ações nos patrimônios dos fundos, que somam mais de 750 bilhões de reais.

Vemos boas perspectivas para Bolsa nos próximos meses. Basta que a visibilidade política e econômica fique mais clara para que uma enxurrada de dinheiro entre no mercado de renda variável, não somente através dos fundos de pensão brasileiros, mas também por intermédio dos investidores estrangeiros.

Max Bohm
Analista CNPI
max.bohm@empiricus.com.br

Suspenso IPO de Azul. Vamos ter uma conversa franca?

Primeiro os fatos: a oferta pública inicial da Azul, cuja precificação ocorreria ontem, foi suspensa por decisão da Comissão de Valores Mobiliários. A autarquia alega que i) foram disponibilizadas na internet apresentação a investidores que não lhe foi submetida, o que constituiria uso irregular de material publicitári, ii) foram divulgadas, na referida apresentação, informações que não constam no prospecto da oferta e iii) foram divulgadas, sucessivamente e por diferentes veículos de mídia, informações sigilosas sobre a demanda e a provável precificação da oferta.

A suspensão tem duração máxima de 30 dias e poderá ser revogada dentro deste prazo se as irregularidades apontadas forem sanadas. Vale pontuar que, em caso de retomada tempestiva da operação, tal suspensão faculta a investidores que já haviam apresentado suas intenções de investimento o direito de alterá-las ou mesmo retirá-las.

Publicamos nossa opinião sobre a oferta na sexta-feira passada, recomendando dela não participar. O fato de não recomendarmos a operação não nos exime, no entanto, de opinar sobre as circunstâncias que levaram à sua suspensão.

O primeiro ponto, se confirmado, me parece perfeitamente legítimo: todos os materiais elaborados pela empresa e/ou instituições participantes da oferta devem ser previamente submetidos ao crivo do regulador – é o que prevê a ICVM 400. Me parece remota, no entanto, a possibilidade de a não-submissão ter sido intencional: deveria o regulador sopesar que a tal plataforma é relativa novidade no mercado brasileiro. A despeito da ampla experiência dos coordenadores da oferta, é perfeitamente possível que tenha se tratado de lapso. Vale ressaltar, aliás, que tal material foi visivelmente elaborado em conformidade com a instrução no que diz respeito à moderação da linguagem e a explicitação dos riscos inerentes ao investimento.

Em outras palavras, dá um desconto pra eles.

Mas eu quero mesmo é me ater aos outros dois pontos. O primeiro diz respeito à divulgação de informação não constante no prospecto. Ocorreu? Sim… como sempre ocorre. A diferença é que, no caso concreto, a divulgação se deu em documento público e não em reuniões fechadas entre analistas, empresa e gestores profissionais.

Talvez esta tenha sido a única vez na qual, em teoria, o investidor de varejo poderia ter contado com nível de informação similar ao rotineiramente oferecido aos institucionais. Será que penalizar a empresa por reduzir a assimetria de informação entre investidores institucionais e individuais é saudável ao mercado?

Por fim, convido o leitor a dirigir-se ao Google a pesquisar “demanda IPO [ticker da empresa que você quiser]”. Quem encontrar uma única oferta sobre a qual não tenham circulado no mercado, antes do fechamento do procedimento de bookbuilding, rumores sobre demanda e preço… atire a primeira pedra. Por que só Azul pagou o pato?

O regulador deve cumprir seu papel, mas o episódio evidencia principalmente que há oportunidades relevantes de aprimoramento da regulação. Ou isso, ou restará garantido o status quo no qual institucionais contam com muito mais informação que o pequeno investidor – em quantidade e em forma, pois pouca coisa é tão hostil a este último quanto o prospecto que, em tese, espera-se que ele leia…

Será que não é hora de repensar a regulação em prol de um mercado mais equitativo?

Ricardo Schweitzer
Analista CNPI
ricardo.schweitzer@empiricus.com.br

Braskem: Volatilidade esperada por investigações no México

Valor e jornais mexicanos noticiam que autoridades mexicanas estão ouvindo testemunhos de funcionários da estatal petroleira Pemex para esclarecer o pagamento de propinas por parte de Odebrecht e Braskem (BRKM5) entre 2010 e 2014.

No contexto do acordo assinado com o Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA com ambas empresas – que implicaram penalidades por 3,5 bilhões de dólares-, elas reconheceram pagamentos a funcionários de Pemex por 10,5 milhões de dólares, dos quais pelo menos 6 teriam sido pagos pelo Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Na medida em que o organismo mexicano equivalente ao TCU (PGR) continua investigando, mais informação vai sendo divulgada. Até agora, supostamente, os benefícios auferidos pelas práticas do grupo brasileiro (Odebrecht+Braskem, aparentemente) teriam atingido 39 milhões de dólares.

De acordo com as datas envolvidas, a imprensa brasileira menciona que poderia estar incluído o contrato de fornecimento de etano de Braskem, o que consideramos factível.

Contudo, por mais de que possa haver uma volatilidade em BRKM5 devido a estas notícias hoje, acreditamos que é cedo demais para concluir que ela deva enfrentar penalidades significativas no longo prazo, que mudem a nossa visão positiva para o papel, já que: 1) aparentemente quem tinha mais interesses e se envolvia em práticas corruptas no México era o controlador, e não a petroquímica, 2) lá Braskem está associada com o reconhecido grupo local Idesa, que deveria ser um ferrenho aliado na defesa da rentabilidade do projeto, 3) o tamanho e relevância do projeto para o país e para Pemex poderiam estabelecer um limite implícito para uma eventual punição, 4) o histórico de situações semelhantes no México mostra, no geral, um respeito a condições de contratos passados (eles focam em punir os funcionários e melhorar os contratos futuros) e 4) os procedimentos no México na Justiça, às vezes, são tão enrolados quanto no Brasil, o que permitiria adiar por muitos anos o pagamento de alguma multa, caso ela fosse excessiva.

Deste jeito, sendo cientes de que este risco no México está em linha com o nosso caso de investimento e considerando a margem de segurança em valuation (ao negociar a 4,5x ev/ebitda 2017e), mantemos a nossa recomendação de compra no Empiricus Insider , Vacas Leiteiras e Melhores Ações da Bolsa .

Carlos Herrera
Analista CNPI
carlos.herrera@empiricus.com.br

JBS: não criemos pânico

Notícia da Folha comenta a paralisação temporária de planta da JBS (JBSS3) localizada em Campo Grande/MS.

Desta vez, a parada não teve a ver com a operação Carne Fraca. Ontem um vazamento de amônia no frigorífico causou pânico aos funcionários, que foram alertados para evacuar todas as áreas da planta.

Desta forma, as operações foram temporariamente suspensas até que a planta fosse liberada pelos Bombeiros.

A notícia é negativa, porém não é relevante diante da suspensão temporária de outras unidades da companhia e do recente anúncio de redução na produção. A paralisação foi pontual, sem envolvimento com as investigações da PF e, portanto, as operações deverão voltar a normalidade sem impacto material aos resultados.

JBSS3 segue firme na subcarteira Condor (para assinantes com alto apetite por risco) dentro do produto Empiricus Insider .

Ariane Gil
Analista CNPI
ariane.gil@empiricus.com.br

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