Aprenda a desconfiar de si mesmo

Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos Céus. Mateus 18:4

O Salvador não desprezava a educação; pois, quando regida pelo amor de Deus e consagrada a Seu serviço, a cultura intelectual é uma bênção. Entretanto, Ele passou por alto os sábios de Seu tempo, porque eram tão cheios de confiança em si mesmos, que não podiam simpatizar com a humanidade sofredora e tornar- se colaboradores do Homem de Nazaré. […] A primeira coisa a ser aprendida por todos os que desejam trabalhar para Deus é a desconfiança de si mesmos; acham-se então preparados para lhes ser comunicado o caráter de Cristo. Este não se adquire por meio de educação recebida nas mais competentes escolas. É fruto da sabedoria obtida do divino Mestre.

Jesus escolheu homens sem a educação formal, porque não haviam sido instruídos nas tradições e nos errôneos costumes de seu tempo. Eram dotados de natural capacidade, humildes e dóceis – homens a quem podia educar para Sua obra. Nas ocupações comuns da vida, há muitas pessoas que seguem a rotina dos labores diários, inconscientes de terem faculdades que, se exercitadas, os ergueriam à altura dos mais ilustres do mundo. Requer-se o toque de uma hábil mão para despertar essas faculdades adormecidas. Foram esses os homens que Jesus chamou como colaboradores e deu-lhes a vantagem da convivência com Ele. As grandes personalidades do mundo nunca tiveram um mestre assim. Quando o preparo ministrado pelo Salvador terminou, os discípulos já não eram mais ignorantes e incultos. Eles tinham se tornado como o Mestre, tanto no espírito como no caráter, e as pessoas percebiam que aqueles homens haviam estado com Jesus.

A mais elevada obra da educação não é apenas comunicar conhecimentos, mas é aquela vitalizante energia recebida pelo contato de espírito com espírito, de pessoa com pessoa. Somente vida gera vida. Que privilégio, pois, foi o deles, por três anos em contato com aquela divina vida de onde tem provindo todo impulso doador de vida que tem abençoado o mundo! João, o discípulo amado, mais que todos os seus companheiros, entregou-se ao influxo daquela assombrosa existência. Ele diz: “A vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada” (1Jo 1:2). (O Desejado de Todas as Nações, p. 249, 250).

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