Daily Pro – Míshlê Shelomoh

Míshlê Shelomoh

Por Felipe Miranda & Equipe
25/04/17

Há uma parte ruim de ter trazido a Luciana Seabra do Valor: agora não temos onde ler boas entrevistas do Luis Stuhlberger. A parte boa é que não precisamos mais ler o Valor. E a parte ótima, claro, é o trabalho heróico que ela desenvolve aqui com as análises dos fundos de investimentos.

Na entrevista de 2015 à Luciana, Stuhlberger disse assim: “este ano vai ser a história de Jó. Você tem Deus conspirando contra o Brasil: não dá água, não tem energia, os preços das commodities estão caindo, o governo aperta em 2% do PIB…”

Stulhberger nunca erra – desculpe, mas o sujeito que, quando está equivocado, entrega 110% do CDI, não erra. Neste caso particular, se suas convicções não convergem para a realidade, tenho certeza de que a culpa é da teimosa e inflexível realidade.

Bom, então, obedecendo disciplinadamente à ordem, se 2015 foi o ano de Jó, 2016 trouxe os Salmos e agora estamos nos Provérbios.

De fato, o paralelo com a sequência bíblica faz sentido. Ao menos na minha cabeça. Talvez seja apenas um wishful thinking, um desejo íntimo disfarçado de narrativa analítica. Talvez não. Se soubéssemos com precisão onde começam e terminam nossos vieses cognitivos, não seriam vieses cognitivos…

Provérbio é uma frase sintética, lacônica, mas provida de todo significado e conteúdo, representativa de uma mensagem adquirida a partir da experiência – o conhecimento e a cultura emanando da prática. A evidência empírica acumulada à frente de teorias platônicas, servindo à orientação da vida cotidiana.

Salomão, filho de Davi, rei de Israel, teria sido um dos principais escritores do livro dos Provérbios, compondo junto às passagens de Jó e Eclesiastes a fundamentação filosófica essencial da Bíblia. Dai, justifica-se o título original da obra, do hebraico Mishlê Shelomoh (Provérbios de Salomão). Seu propósito é alcançar a sabedoria, a disciplina e a vida prudente, a partir do fornecimento da adequada instrução moral.

Assim, na minha metáfora, 2017 seria o ano da disciplina (ajuste fiscal, PEC do teto de gastos, reforma da Previdência, aumento das taxas de poupança), da depuração moral (ápice da Lava Jato, que alijará da disputa presidencial todo o escopo político tradicional e obrigará surgimento de uma nova liderança – Doria em 2018?) e da valorização da cultura popular (a vitória do conhecimento de rua sobre as teorias acadêmicas esterilizadas e pasteurizadas, a derrota de Dr John para Fat Tony – os personagens descritos aqui ontem -, a eliminação dos idiot savants e seus ternos vazios, numa invasão bárbara dos praticantes, XP e companhia limitada contra os gerentes dos bancos…).

No conhecimento prático, não há platonismo. Aqueles que esperam uma reforma ideal da Previdência certamente vão se frustrar. Por definição, essa está apenas no mundo das ideias.

Faremos a reforma possível e necessária para que se cumpra o teto de gastos, o que exigirá nova reforma em quatro ou cinco anos. Mas basta. O fundamental é o controle de gastos como um todo, ou seja, obedecer ao teto. A Previdência precisa ser ajustada justamente para que possamos cumprir a PEC do teto de gastos. Não pode ser vista de forma isolada, como um elemento ensimesmado.

Arrumamos um pouco agora, e mais um pouco daqui cinco anos. E, claro, outro tanto em dez anos. E assim vai. A mim, a essência da coisa está no respeito ao teto de gastos. Esse é o ponto nevrálgico da trajetória da dívida pública. Não vejo a Previdência como um fim em si, mas como um meio – essencial, sim – para viabilizar o respeito ao crescimento do gasto conforme a inflação, sem o qual a dinâmica da dívida é explosiva. Sem Previdência nova, não há respeito ao teto de gastos. E sem teto de gastos não há solução para a trajetória da dívida que não passe por hiperinflação, calote ou elevação brutal de impostos.

Há uma parte boa de o Brasil ser macunaímico, talvez só uma: ele não tem vocação para a explosão. ” Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites .” A hora não admite a demagogia das corporações e dos partidos defensores dos pobres. O momento exige sabedoria e disciplina. A observação empírica de experiências semelhantes (Grécia?) sugere necessidade de firmeza. A verdadeira sabedora está reservada para os retos.

Mercados brasileiros iniciam a terça-feira ponderando otimismo no exterior e manifestação do PSB contrário à reforma da Previdência. Bolsas internacionais apontam alta, ainda empurradas por resultado de eleição francesa e expectativa por plano fiscal de Donald Trump, esperado para esta semana.

Por aqui, cena política é destaque. Governo conta votos e mantém articulação pesada em torno da Previdência, após PSB, supostamente um partido da base, mostrar-se contrário às novas regras. Votação de parecer sobre reforma trabalhista atrai atenções – além da importância em si da matéria, questão serve de referência para apoio da base às reformas fundamentais, servindo de proxy para comportamento na votação da Previdência.

Agenda econômica traz dados das contas externas brasileiras. Nos EUA, temos confiança do consumidor, vendas de casas novas e atividade do Fed de Richmond, além de uma porção de resultados corporativos relevantes.

Ibovespa Futuro abre em leve alta de 0,3 por cento, atento às bolsas internacionais. Dólar sobe 0,8 por cento contra o real, na esteira do desempenho de outras moedas emergentes e de olho nos contratempos em torno da reforma da Previdência. Juros futuros sobem, enquanto observam elevação do yield dos Treasuries e temor com reformas.

Felipe Miranda
Analista CNPI
palavra@empiricus.com.br

BNDES promete mudar política em favor das debêntures

O BNDES está em processo de alteração de suas políticas no sentido de aumentar a transparência de suas escolhas.

Dentre as mudanças pretendidas, está uma política que aumente a liquidez das debêntures no mercado secundário, segundo a Diretora Eliane em matéria do Estadão.

A solução pode passar pela criação de fundos voltados à negociação desses ativos. Vale lembrar que um dos motivos pelo qual as debêntures possuem um juro maior é o prêmio por liquidez.

Políticas nesse sentido auxiliam a queda dos spreads de uma maneira geral, e podem beneficiar os investidores atuais de crédito privado.

No Empiricus Renda Fixa selecionamos cuidadosamente uma carteira de debêntures com alto potencial de valorização. Desde 31/05/16, quando criamos a carteira, acumulamos um retorno de 215 por cento do CDI.

Marília Fontes
Analista CNPI

HYPE: vencendo o fluxo

Comentamos neste espaço na manhã de ontem, Hypermarcas, (HYPE3) possui 3 propostas de aquisição por companhias internacionais em sua mesa.

A companhia nega as ofertas de venda, mas acreditamos que onde há fumaça há fogo.

E as ações refletiram o otimismo fechando em alta de quase 4 por cento no pregão de ontem.

HYPE subia mais de 7 por cento quando, segundo o Valor, a família Gonçalves colocou o equivalente a 1 por cento das ações da companhia a venda.

A família, ex-controladora da Neo Química, comprada por HYPE, vem colocando pressão vendedora nas ações desde meados de dezembro passado.

O mais importante ainda não foi vazado – qual preço será oferecido pela HYPE?

Mas esta é uma história para depois. Por enquanto, e já com ganhos de 20 por cento, os assinantes do Serious Trader só se preocupam em aproveitar as altas vindouras.

Bruce Barbosa
Analista CNPI

Natura quer ganhar corpo

Natura (NATU3) estaria interessada em comprar da L’Oréal a rede The Body Shop – que possui 3 mil lojas no mundo, 119 somente no Brasil.

O movimento parece interessantíssimo, já que NATU precisa diversificar seus canais de venda – hoje concentrado na venda direta.

E as ações fecharam com forte alta de mais de 3 por cento, acumulando 38 por cento no ano.

Natura estaria em disputa com fundos de Private Equity globais. E o negócio seria fechado por 28x a geração de caixa operacional da The Body Shop.

Não parece nenhuma pechincha a primeira vista.

Mas os resultados da The Body Shop recuaram 38 por cento em 2016. E, se imaginamos que Natura possui ótimos produtos, as compra das lojas físicas (canal de distribuição) seria uma jogada de mestre.

E os bancos de investimento já anunciam as enormes sinergias. Nós somos mais céticos. Se reconhecemos a gestão de Natura como lenta, a compra de um negócio deste tamanho certamente traria problemas.

Ainda mais agora, que companhia começa a melhorar seus números.

A compra pode ser bastante positiva, mas certamente traria problemas de curto prazo a gestão. Do alto de seus 12x Ebitda atuais, continuamos admirando a beleza de Natura apenas de longe.

Bruce Barbosa
Analista CNPI

Setor elétrico: ótimo leilão de transmissão, para quem?

O tão esperado leilão de transmissão foi um sucesso para o governo ontem, ao ter conseguido contratar investimentos por 12,7 bilhões, equivalentes a 96,5 por cento do previsto. Adicionalmente, apareceram participantes não tradicionais nestes eventos, como Energias do Brasil (ENBR3) e a indiana Sterlite Power Grid Ventures (até agora só estávamos acostumados com empresas chinesas, espanholas).

Todas as companhias listadas participantes experimentaram quedas ontem devido à alta competitividade que fez com que o deságio fosse de 36,5 por cento na média. Dado este nível de sucesso, o governo já planeja mais leilões para o 2S16-1T18 que deverão somar investimentos por uns 10 bilhões de reais.

Surpreendentemente, a companhia mais ativa foi Energias do Brasil (ENBR3) que comprometeu investimentos por 3,6 bilhões de reais. O papel caiu 1,7 por cento. Acreditamos que por algum grau de incerteza sobre a incerteza estratégica de se aventurar fora do que era o core até agora. Conforme esperado, ela foi seguida por CTEEP (TRPL4), que comprometeu investimentos acima de 2,5 bilhões de reais, oferecendo um deságio em linha com a média. O papel caiu 3,6 por cento ontem.

A ação mais batida resultou ser a de Alupar (ALUP11), ao cair 4 por cento. Entendemos que se deveu à escassa participação (bem menor ao esperado pelo mercado), já que só conseguiu participar em um lote que implica investimentos por 889 milhões via consórcio (em que detém 51 por cento).

Quem foi o grande ganhador deste leilão? Sem dúvidas, o governo, que conseguiu atrair investimentos a um segmento que é o verdadeiro gargalo do setor elétrico. E no que se refere às companhias?

Pelo menos no que que se refere a Alupar (ALUP11), a queda nos parece claramente exagerada, já que depois do último aumento de capital o balanço está mais forte e deveria acelerar a melhora de resultados, e a falta de agressividade neste leilão não faz mais que verificar novamente o conservadorismo e compromisso com entregar bons retornos ao acionista no longo prazo.

Deste jeito, por enquanto, mantemos ALUP11 nas nossas carteiras Vacas Leiteiras e Carteira Empiricus.

Carlos Herrera
Analista CNPI

Bancos: resultados melhores à frente

Mal acabou a temporada de resultados do 4T16 e já temos uma semana repleta de números do 1T17 para analisar.

Os resultados do setor bancário devem mostrar forte expansão em relação ao primeiro trimestre de 2016, em função do início do ano passado ter sido marcado pelas altas despesas com provisão de devedores duvidosos decorrentes da recuperação judicial da empresa Sete Brasil, envolvida na Operação Lava Jato.

Mesmo expurgando este efeito pontual, os números devem evidenciar uma melhora importante na qualidade dos ativos, com menor inadimplência e início da reversão das provisões.

Espera-se um crescimento de 21 por cento em relação ao 1T16, atingindo um lucro total de 14,9 bilhões de reais, se somados BB, Santander, Itaú e Bradesco.

Dentre os resultados, destacamos Santander e BB como possíveis surpresas positivas. A filial brasileira do banco espanhol deve continuar divulgando evolução operacional, amparada pela redução nos índices de inadimplência e pelo crescimento moderado da carteira de empréstimos, levando a uma maior rentabilidade.

Com uma reestruturação operacional em curso, BB também pode mostrar bons números. Aumento de spreads e redução de despesas administrativas devem fazer o ROE do banco voltar para próximo de 12 por cento, o que seria uma evolução bastante significativa dada a baixa rentabilidade de 2016.

Itaú deve seguir seu caminho de melhora de eficiência e menores provisões, enquanto Bradesco tende a mostrar resultado neutro neste trimestre.

O ponto de largada é amanhã com o resultado de Santander. Continuamos recomendando os bancos em vários produtos da casa e estamos confiantes na valorização dos mesmos nas próximas semanas.

Max Bohm
Analista CNPI

Calendário de IPOs

Segundo notícia do Valor, a UOL iniciou conversas com o Banco de Investimento Goldman Sachs para o processo de abertura de capital da PagSeguro, braço de credenciamento de cartões.

Até o momento, a oferta ainda não entrou em análise na CVM, mas já está no radar do mercado por conta de ser um dos melhores ativos da prestadora de serviços online.

A companhia estaria buscando recursos no IPO para competir com Cielo (CIEL3), Rede (controlada pelo Itaú, ITUB4) e GetNet (controlada pelo Santander, SANB11).

A PagSeguro é uma subadquirente – provê soluções de pagamento eletrônico, e seria a primeira Fintech a vir à Bolsa.

Torcemos muito para que a PagSeguro venha a bolsa. Seria bastante interessante entender como a startup conseguiu ganhar mercado no setor.

Mas o setor está em mudanças – o que traz riscos ao negócio. No início do ano, o BC anunciou que pretende mudar as regras do segmento para nos aproximar do que acontece no exterior.

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