Os tambores da guerra rufam no Irã e na Coreia do Norte

Um problema de 13 trilhões de dólares.… Os tambores da guerra rufam no Irã e na Coreia do Norte… Quem precisa de dólares?… e mais!

Caro Leitor do Strategic Intelligence,

Os cinco temas que eu recomendo que você leia esta semana estão abaixo. Cada um vai lhe dar uma compreensão mais profunda sobre assuntos que exploramos na edição mensal do relatório.

Aproveite!

I. Um problema de 13 trilhões de dólares pronto para acabar com o crescimento e afundar os mercados.

Nos últimos oito anos, desde a crise financeira global, os participantes do mercado têm se concentrado na política de taxas de juros zero, conhecida como ZIRP, e na política de taxas de juros negativas, conhecida como NIRP, empregadas pelos maiores bancos centrais do mundo, como os dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, China e o Banco Central Europeu. Mas a ZIRP e a NIRP não são as únicas ferramentas não convencionais usadas pelos bancos centrais para sustentar as economias depois da crise. Outra ferramenta é a impressão de dinheiro, chamada de quantitative easing (flexibilização quantitativa). Nesse procedimento, os bancos centrais compram títulos de operadores do mercado, geralmente os grandes bancos, e mantêm esses títulos no balanço patrimonial do banco central. Os títulos são pagos com dinheiro que surge do nada; é assim que funciona a criação de dinheiro. Este artigo mostra, por exemplo, que antes da crise o balanço do Fed tinha cerca de 800 bilhões de dólares em ativos, a maior parte títulos; hoje esse valor supera os 4 trilhões de dólares. Outros bancos centrais fizeram o mesmo. Quando somados, os excedentes de títulos em balanço patrimonial do Fed, do Banco do Japão e do Banco Central Europeu já ultrapassam os 13 trilhões de dólares. Agora que começaram a normalizar as taxas de juros, os bancos centrais cogitam também normalizar os balanços patrimoniais. Isso não necessariamente envolve a venda dos títulos. Os bancos centrais podem simplesmente não fazer nada e deixar que os títulos vençam sem reinvestir os resultados. Esse dinheiro desaparece sem deixar rastros, em um processo oposto ao da impressão de dinheiro. Não reinvestir os resultados dos títulos vencidos causará a redução da oferta de dinheiro. Os banqueiros centrais querem fingir que podem simplesmente deixar essa redução ocorrer em “segundo plano” sem causar quaisquer efeitos desestabilizadores. Isso é absurdo. Há anos os bancos centrais têm comprado até 30 por cento dos títulos do Tesouro emitidos pelo governo. O que acontecerá se eles saírem do mercado, mesmo que essa saída seja comunicada com antecedência? Talvez descubramos a resposta da pior forma possível.

II. Os mercados não estão precificados para uma paralisação do governo, mas ela está chegando.

O atual orçamento do governo federal americano expira em 28 de abril. Espera-se que esse prazo seja prorrogado em uma semana, até 5 de maio, mas depois disso, é possível que haja uma paralisação do governo. Este artigo mostra que essa paralisação é muito provável. Os grandes entraves à aprovação do novo orçamento são o financiamento da construção do muro de Trump, os recursos adicionais para o Obamacare e os fundos destinados ao Planned Parenthood (planejamento familiar). Os republicanos estão dispostos a conceder aos democratas recursos para o Obamacare, porque já têm planos para desmantelar o programa. A Casa Branca é inflexível em sua posição sobre o muro na fronteira. O House Freedom Caucus (HFC), com seus cerca de 24 deputados da ala mais conservadora do partido Republicano, é inflexível quanto à questão do Planned Parenthood. Os democratas estão irredutíveis em sua oposição tanto à construção do muro quanto ao corte de fundos do Planned Parenthood. Portanto, é fácil perceber o fiasco que vem pela frente. O que tornará esse fiasco possível é o fato de que ambos os lados acreditam que podem vencer. Isso é ilógico, porque, no final, um lado vencerá e o outro perderá. Mas enquanto ambos os lados acreditarem que podem vencer, insistirão na briga, e o governo ficará paralisado. Sem os votos do HFC e sem os votos dos democratas, o Congresso não consegue aprovar uma nova proposta de orçamento antes que o prazo adicional de uma semana termine. Portanto, o governo ficará paralisado. Os democratas acreditam que ganharão muita popularidade junto à sua base de eleitores se fizerem oposição ao muro na fronteira e aos cortes de verbas para o Planned Parenthood e se defenderem mais subsídios para o Obamacare. Eles sabem que as paralisações do governo federal são extremamente impopulares, mas acreditam que os republicanos levarão toda a culpa por estarem no comando do governo. Estamos diante de um duelo em que nenhum dos lados pretende recuar, portanto, os ânimos devem se acirrar. É certo que uma paralisação não está precificada nos mercados. O mercado de ações tende a ser acomodado e costuma supor que, de algum modo, as coisas vão “se resolver”, a despeito de todo o barulho e confusão. Apenas quando a realidade os atinge em cheio é que os mercados, repentinamente, reajustam os preços. Uma queda de 10 a 30 por cento nos preços das ações pode ocorrer em 5 de maio, quando for óbvia a eminência da paralisação.

III. Os tambores da guerra rufam no Irã e na Coreia do Norte, e não por mera simulação.

Os investidores podem estar cansados de alertas graves sobre o Irã e a Coreia do Norte. Afinal, esses dois países têm confrontado os Estados Unidos e financiado o terrorismo por pelo menos vinte anos e, até agora, não ocorreu nenhum conflito armado, embora tenham ocorrido muitas atividades clandestinas, como sabotagem, guerra digital e alguns assassinatos. Durante os governos Clinton, Bush filho e Obama, a política externa dos Estados Unidos usou a tática de “empurrar com a barriga”, assinando diversos acordos (que depois foram ignorados). Enquanto isso, tanto Irã quanto Coreia do Norte não se deixaram intimidar e levaram adiante seus projetos de desenvolvimento de armas nucleares e de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), apesar de alguns percalços. Agora, os dois países estão no centro das atenções novamente, como focos de conflito potencial com os Estados Unidos. Um dos motivos é que eles estão perto de atingir seus objetivos de ser capazes de trazer morte e destruição nuclear a Los Angeles, Londres, Paris e Berlim. O outro motivo é que Donald Trump deixou claro que não permitirá que nem o Irã nem a Coreia do Norte atinjam a capacidade plena de produção de armas nucleares. O problema é que, depois de tantos anos de política de apaziguamento por parte dos Estados Unidos, Irã e Coreia do Norte talvez não acreditem nos comentários de Trump e tentem expor seu blefe. Mas ele não está blefando. Portanto, a guerra com ambos os países, a começar pela Coreia do Norte, tornou-se inevitável. Os mercados não precificaram essa nova realidade. Quando finalmente fizerem isso, esteja preparado para um novo abalo no mercado de ações, semelhante aos que vimos em 1998, 2000 e 2008.

IV. Quem precisa de dólares? Rússia e Índia estabelecem acordos comerciais em ouro.

Mal passa uma semana sem que haja um novo anúncio de um dos membros dos BRICS (grupo que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) sobre iniciativas para evitar e substituir o dólar americano como moeda preferencial de financiamento comercial e posições de reserva. Há duas semanas, China e Rússia anunciaram o desenvolvimento de um sistema de pagamentos que evita o sistema SWIFT, dominado pelos Estados Unidos, e possibilita liquidações feitas sem a moeda e a interferência americanas. Na última semana, o banco central russo anunciou a aquisição, em março, de mais 25 toneladas de ouro, elevando o total de sua posição em reservas de ouro a quase 2 mil toneladas. Como mostra este artigo , Rússia e Índia anunciaram agora novos acordos bilaterais que tratam da exportação de ouro russo recém-extraído à Índia e do financiamento de projetos de infraestrutura indianos por parte da Rússia. Esses acontecimentos são parte de uma tendência maior em favor do ouro e de sistemas alternativos de pagamentos que em breve relegarão o dólar ao status de apenas mais uma moeda local, tirando-o da posição que ocupa hoje de moeda de referência mundial.

V. Mineradoras escavam três quilômetros para extrair uma onça de ouro de cinco toneladas de rocha.

Estamos todos familiarizados com o ouro em sua forma final, convertido em alianças, colares, braceletes ou pulseiras de relógio. Alguns de nós também já viram lingotes de ouro, em forma de moedas ou barras. Mas relativamente poucos conhecem o processo de extração e o interior de uma mina de ouro. O ouro no solo é tão escasso que as mineradoras discutem sua densidade em termos de gramas de ouro por tonelada de minério. Um depósito bastante rico produz cinco gramas de ouro por tonelada. Isso significa que mais de cinco toneladas de minério precisam ser moídas para produzir uma única moeda de uma onça de ouro. Os depósitos de minério com quantidades de ouro financeiramente viáveis são tão raros que as mineradoras escavam mais de três quilômetros de crosta terrestre adentro apenas para extraí-lo das rochas, processá-lo e refiná-lo. Este é um ensaio fotográfico que nos leva para dentro de uma das minas mais profundas do mundo e mostra como o ouro é extraído, fundido e transformado em barras de ouro de 85 por cento de pureza, chamadas de doré, antes de ser transportado a uma mina ou refinaria onde os lingotes de doré são refinados novamente e transformados em moedas e barras de ouro 99,99 por cento. É exatamente a escassez que ajuda o ouro a manter seu poder de compra. Quando a demanda de ouro é alta, assim como na inflação monetária, a quantidade disponível de ouro não pode aumentar rapidamente. São necessários vários anos para iniciar uma nova produção de ouro e, mesmo assim, a produção não expande muito a reserva de ouro em relação à demanda existente. O ouro é um tema fascinante e esse ensaio dos bastidores da mineração só faz aumentar esse fascínio.

Tudo de bom,

Jim Rickards
Editor do Strategic Intelligence

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